A felicidade é efêmera até que ponto? 

O conceito de felicidade varia de acordo com a época e cultura que estamos inseridos. Nos anos 60, ser feliz era associado à quebra de tabus, ao culto à vida e não mais ligada aos deveres familiares como nos anos 40. Nos anos 80, a felicidade estava essencialmente ligada ao sucesso financeiro. Podemos dizer que hoje essa ideia está relacionada com a capacidade de bem-estar.

Utopia

Existe então uma felicidade utópica, que as pessoas acreditam que ser feliz é estar rindo e celebrando o tempo inteiro. Essa sim é finita e rara de sentir pois está associada a momentos específicos. Quando achamos que conquistamos a felicidade, no momento seguinte ela escapa, e surge novamente na hora mais inesperada.

Porém ser feliz na verdade é estar em plenitude. A felicidade pode ser definida como uma sensação em que prevalece o bem-estar e prazer. Equilibrar o que você deseja da vida com o que você faz. Quando você coloca em prática seus desejos. 

Fazer exatamente o que gostaria de estar fazendo. Estar em um relacionamento que te faz bem e que te proporciona o que você gostaria, é estar feliz. Por exemplo, quando você trabalha com algo que gosta e que te traz além do dinheiro, a gratificação de crescer e produzir, é estar feliz. Estar num relacionamento saudável com sua família e amigos ou visitar lugares novos. Essas pequenas coisas que te colocam na “trilha certa”, que você faz o que realmente quer fazer, isso é ser feliz.

Em outras palavras, não é uma felicidade passional, intensa, ardente e explosiva. A felicidade real é a plena, tranquila e longínqua. Fazendo uma comparação, é a mesma diferença de paixão e amor. Amor é pleno e construído, paixão é ardente e em ondas. 

Plenitude é construção

Felicidade é plenitude, e ela não é efêmera. Você conquista, busca, nutre e constrói a felicidade. Além de almejá-la você faz acontecer. É buscar aplicar na sua vida seus desejos, mesmo sabendo que esses desejos podem mudar. Num momento você pode estar feliz fazendo algo e depois não estar mais, e a chave é perceber isso e mudar para seguir feliz.

Na psicologia, notou-se que as capacidades de perdoar, se dedicar a um trabalho e ter amigos estavam ligadas a maiores níveis de bem-estar. Dessa forma, o bem-estar é uma aprendizagem. Em outras palavras, isso significa que ser feliz pode depender em boa medida de habilidades, e não somente sorte.

Se você está num relacionamento que hoje não o faz mais feliz, para retomar a felicidade é necessário sair dele. Mesmo que no passado ele tenha te feito feliz, hoje você precisa de outras coisas. Ter essa auto percepção e respeitar seus desejos é buscar a felicidade.

A felicidade é construída todos os dias, e para isso você precisa estar alinhado com seu coração e saber interpretar o que ele te diz.

Sem imediatismo

Sócrates e Aristóteles defendiam a ideia de que o segredo da felicidade é o percurso que se escolhe fazer na vida. Para os filósofos, é preciso de um investimento no desejo sem imediatismos e pequenez, importando mais o percurso até a realização do projeto do que o projeto em si.

Então, a felicidade explosiva é sim efêmera e vem com acontecimentos específicos mas a felicidade plena é contínua. Portanto dedique-se a se conhecer e entender o que sente verdadeiramente para buscar o que te faz feliz.

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